Todos os acordos salariais fechados no primeiro semestre deste ano garantiram aumento real às categorias no Estado. O índice ficou, em média, 1,78% acima da inflação do período, segundo o Dieese. O setor industrial liderou as reposições, com acertos, em média, 1,96% superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE, que foi de 6,82% em 12 meses. Para o órgão, os protestos de maio e junho ajudaram a mudar o rumo das 26 convenções acertadas entre sindicatos de trabalhadores e patronais no Rio Grande do Sul. O Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) do Dieese registrou que 85% das 328 tratativas nacionais conseguiram taxas acima da inflação. O desempenho gaúcho só não chegou a repetir o percentual médio de ganho real de 2012. No primeiro semestre do ano passado, o saldo acima da inflação ficou em 2,09%. Os primeiros meses deste ano registram o reaquecimento dos preços. Também em 2011, com 100% de acordos acima do INPC, o fator inflação mais baixa, de 6,4%, pesou para os acordos mais favoráveis. Até junho de 2013, os salários dos serviços ficaram, em média, 1,38% acima do INPC, enquanto os do comércio, 1,26% maiores. Pouco mais de 70% do grupo de convenções analisadas é da área industrial. O diretor regional do Dieese, economista Ricardo Franzói, assinala que as manifestações devem contaminar também os acordos previstos para o segundo semestre. “O ano começou desanimado, com tendência a índices mais baixos de reposição. As conversações atrasaram, e surgiram as manifestações, que influenciaram o ânimo dos trabalhadores”, demarca Franzói, citando greves e paralisações rápidas, com protestos que fecharam avenidas e rodovias na Região Metropolitana e em Porto Alegre. Os movimentos tiveram início em 2012, segundo a fonte. “Teve negociação que começou em 7,5% de reposição e que terminou em 9,5%”, contrastou o economista. Franzói preveniu que o resultado dos acordos na primeira etapa do ano costuma dar o tom nas datas bases seguintes. Categorias como calçadistas, no Vale do Sinos, se espelham nos ganhos de setores como metalurgia, com as maiores taxas. “Variáveis como desvalorização do real, que beneficia principalmente a indústria gaúcha exportadora, e a retomada, mesmo que em ritmo menor, da atividade econômica, devem influenciar o patamar dos futuros acordos”, acrescentou. Fonte: Site Jornal do Comércio