Cerca de R$ 110 milhões foi a quantia que os comerciantes de Porto Alegre deixaram de faturar durante a 18ª edição do Liquida Porto Alegre devido à greve dos rodoviários, de acordo com estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA). Com mais sete dias de prorrogação do evento, iniciada na manhã desta segunda-feira, a estimativa é de que sejam recuperados pelo menos R$ 50 milhões do volume que ficou de fora do faturamento dos cerca de 4 mil lojistas participantes do evento.
De acordo com o presidente da CDL-POA, Gustavo Schifino, a expectativa inicial era de que o valor de vendas da liquidação crescesse 8% em relação à edição de 2013, somando R$ 1 bilhão. “Já conseguimos recuperar parte do prejuízo no último final de semana, mas ainda assim, as vendas devem fechar entre 2% e 3% abaixo do ano passado”, lamenta o dirigente.
Mesmo que o consumo já tenha retomado o ritmo esperado, a projeção da entidade promotora é de que sejam comercializados entre R$ 930 milhões e R$ 950 milhões. “Devido à paralização, certamente os resultados serão inferiores aos da última edição”, declara Schifino, afirmando que se a campanha não fosse prorrogada, seria finalizada com resultado inferior a 10% do montante vendido em 2013, não ultrapassando R$ 905 milhões. Segundo Schifino, após a retomada da mobilidade na cidade, as vendas de sábado (15) e de domingo (16) inflaram, garantindo um alento aos lojistas. “No último final de semana, se recuperou cerca de R$ 5 milhões”, calcula o presidente da CDL-POA. Neste período, as lojas de shopping centers se beneficiaram. Já os estabelecimentos do Centro da Capital ainda amargam dúvidas e pouca performance. “O movimento foi muito fraco, ficou em torno de 40% menor do que estamos acostumados a vender em dias normais, sem contar a liquidação”, desabafa a gerente da Sens Modas, Cláudia Jacques. “Até agora não conseguimos bater a meta da loja”, reclama a comerciária, observando que a estimativa era de que fevereiro seria um mês de boas vendas. “O fato da greve dos ônibus afetou bastante. Ninguém vinha para o Centro, a não ser que precisasse trabalhar.”
“Tivemos uma primeira semana mais difícil, com as lojas 50% mais vazias por conta da greve dos ônibus”, concorda a gerente da Rabusch da Rua dos Andradas, Caroline de Mari. Ela emenda que a semana passada registrou um movimento melhor, a ponto das vendas crescerem em torno de 30% no estabelecimento. “Com a prorrogação, esperamos manter este índice, pois a loja está com todos os produtos remarcados com 50% de desconto e está iniciando o período de volta às aulas.”
“Se o preço é bom, eu compro”, garante a aposentada Ana Maria Bizello, que aproveitou o retorno dos coletivos para ir ao Centro dar uma pesquisada nas roupas em liquidação. “Este ano, eu ainda não tinha comprado nada. Além de muito calor, a falta de ônibus impediu que eu me deslocasse. Agora que melhorou, pretendo aproveitar a campanha”, afirma a consumidora. O mesmo pensamento levou a dona de casa Sarita Vaz da Costa a frequentar o comércio da cidade desde sexta-feira. “Os preços estão bons. Estou pensando em levar uma saia, que custava R$ 150,00 antes da campanha, e agora está pouco mais de R$ 50,00.”
PRORROGAÇÃO AUMENTA O NÚMERO DE PARTICIPANTES
A prorrogação do evento ganhou a adesão de lojistas que inicialmente não estavam participando do Liquida Porto Alegre, de acordo com o presidente do CDL-POA. “Devido às vendas mais fracas em dezembro e janeiro, os estoques ainda estão cheios de produtos que devem ser escoados antes do início da temporada de outono-inverno”, explica Schifino. A megaliquidação possibilita a aquisição de roupas, sapatos, eletrodomésticos, equipamentos e uma série de outros itens com até 70% de desconto.
Para alguns consumidores, a prorrogação é uma oportunidade de aproveitar, finalmente, o evento. “Eu ainda não tinha saído para comprar, mas espero encontrar coisas baratas”, afirma a aposentada Eva Ferreira, enquanto vasculha as ofertas. “Estamos com uma boa expectativa para esta semana”, garante a gerente da loja Maria da Praia, Claudia Nunes Francisco. “Na loja, as vendas já estão boas, esperamos crescer no mínimo 15% em relação à campanha do ano passado.”
Fonte: Site Jornal do Comércio