Um julgamento que ocorre hoje à tarde deve pôr fim à sombra da paralisação dos rodoviários, que paira sobre Porto Alegre desde o retorno dos ônibus às ruas da Capital, há uma semana. O motivo é a manutenção do estado de greve da categoria, mesmo com a volta ao trabalho. Os profissionais não entraram em acordo com a patronal em relação ao reajuste de 2014. As cláusulas do dissídio coletivo serão definidas pela Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/RS), às 14h, na sala de sessões da Corte.
Após quatro tentativas de conciliação em reuniões de mediação, a situação foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no dia 6 de fevereiro. O resultado terá que ser acatado por ambas as partes, que poderão, posteriormente, recorrer da decisão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Ao longo da semana passada, os sindicatos dos trabalhadores e das empresas enviaram suas pretensões ao órgão. Segundo nota do TRT/RS, o dissídio já está nas mãos da desembargadora-relatora, Berenice Messias Corrêa, e possui 65 cláusulas. A categoria reivindica 14% de aumento no salário, aumento no vale-alimentação de R$ 16,00 para R$ 20,00, que o plano de saúde ambulatorial e odontológico se mantenha com isenção no contracheque, e que o banco de horas seja extinto. Já os empregadores oferecem reajuste de 5,2%, equivalente à reposição da inflação, manutenção do valor de
R$ 16,00 no vale-alimentação ou o mesmo percentual de reposição da inflação, plano de saúde com desconto em folha de pagamento de R$ 40,00, e continuidade do banco de horas.
Na última audiência de mediação, os rodoviários receberam a proposta de 7,5% de reajuste salarial, vale-alimentação de R$ 19,00, plano de saúde com desconto de R$ 10,00 no contracheque e supressão do banco de horas a partir de 1 de agosto. O acordo foi rejeitado em assembleia da categoria.
As 13 empresas de ônibus que prestam serviço na Capital deixaram de arrecadar aproximadamente R$ 28,5 milhões durante os 15 dias de greve, segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP). Do um milhão de pessoas que utiliza esse tipo de transporte diariamente, em média 700 mil são pagantes. A Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação de Porto Alegre (ATL) registrou aumento de 60% no número de pessoas transportadas. Normalmente, os 403 veículos recebem cerca de 60 mil passageiros por dia, número que subiu para 100 mil nos últimos 15 dias.
Fonte: Site Jornal do Comércio