A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL) decidiu ontem prorrogar o Liquida Porto Alegre, que terminaria este fim de semana, até o dia 23 de fevereiro, para tentar recuperar os prejuízos decorrentes da greve dos rodoviários. Segundo a entidade, as perdas chegaram a R$ 110 milhões durante os 15 dias de paralisação. A greve da categoria, encerrada na segunda-feira, provocou a paralisação total dos coletivos em Porto Alegre.
“O Liquida terá uma semana a mais em respeito e benefício ao consumidor, que não teve oportunidade de compra em razão da dificuldade de locomoção até o comércio, e também para que os lojistas possam equalizar seus estoques”, afirma o presidente da CDL de Porto Alegre, Gustavo Schifino.
De acordo com os cálculos da entidade, houve redução de 50% na circulação de clientes nas ruas e de 30% nos shoppings. A CDL projetava vendas acima de R$ 1 bilhão durante o Liquida Porto Alegre. Com a greve, no entanto, a projeção é de que fique abaixo do que foi realizado no ano passado, quando chegou a cerca de R$ 975 milhões. Entre os dias 3, quando teve início o Liquida Porto Alegre, até a segunda-feira, 10, as vendas ficaram 35% abaixo do esperado, segundo a CDL. Para Schifino, alguns lojistas do centro chegaram a acusar perdas de até 70% nas vendas.
Schifino lembra também que os lojistas tiveram de arcar com os custos adicionais de transportes dos comerciários. “Perdeu duas vezes. Foi sem dúvida o setor mais prejudicado pela paralisação”, lamenta. Levantamento informal de outra entidade do setor, o Sindilojas Porto Alegre, mostrou que os custos das lojas com o transporte de funcionários cresceram até 40%.
O mesmo levantamento apontou 60% de queda nas vendas durante a greve dos rodoviários. Para a maioria dos lojistas consultados, não há como reverter esse prejuízo. “Venda perdida não se recupera, mas precisaremos ser mais ativos e irmos até os clientes”, afirma Ronaldo Sielichow, presidente do Sindilojas Porto Alegre.
A entidade anunciou que vai mover ação judicial contra o Sindicato dos Rodoviários para indenizar os lojistas. “Nosso próximo passo é levantar junto aos lojistas os prejuízos reais sofridos para que possamos instrumentalizar a ação contra o Sindicato dos Rodoviários. “Estamos até pedindo que os lojistas venham até nós para apontar esses prejuízos”, diz Sielichow.
A CDL afirma que apoia a iniciativa do Sindilojas e que chegou a avaliar fazer uma interpelação contra o governo do Estado, por não ter atuado com a Brigada Militar, mas decidiu não fazer nenhuma ação por enquanto. “Como existe ainda o estado de greve, o assunto pode ser retomado”, diz Schifino. Sielichow, por sua vez, também avalia que faltou ação do governo estadual na greve, para garantir a segurança dos rodoviários que desejavam trabalhar. “Não somos contra greve e reivindicações por salários, mas não podemos admitir que isso interfira no direito de ir e vir da população”, diz.
Ainda segundo o Sindilojas, a maioria dos lojistas afirma que existe a possibilidade de realizar demissões em função dos resultados negativos, mas que pretendem recorrer a alternativas antes de terem de reduzir as equipes. Sielichow também lembrou que os comerciários tiveram perdas salariais, já que muitos são comissionados.
Fonte: Site Jornal do Comércio