O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) estima que o apagão da tarde de ontem (04) tenha atingido de 5 milhões a 6 milhões de pessoas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além do Tocantins.
Trata-se de uma conta preliminar, com base na decisão prévia de cortar o fornecimento primeiro para residências, segundo Hermes Chipp, diretor geral do ONS.
A prioridade de corte, em casos de falha do sistema interligado, é determinada conforme o Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga), segundo o qual os agentes (operador e concessionárias) determinam previamente em quais regiões se dá o corte em caso de interrupção no fornecimento como o ocorrido na terça-feira (4).
"É melhor deixar uma residência sem energia por algumas horas do que cortar o fornecimento para o metrô, por exemplo", disse.
O executivo afirmou que foram detectados dois curto-circuitos —quase simultâneos— no sistema de transmissão entre Miracema (TO) e a usina de Serra da Mesa (GO), em duas das três linhas de transmissão que atravessam a região.
Com a queda das duas linhas, a terceira ficou sobrecarregada e caiu também, o que, segundo o ONS, era esperado, considerando o mecanismo de proteção do sistema.
Foram cortados 5000 MW de carga que deixaram de virem da região Norte para a Sudeste —o que corresponde a 7% da carga total das áreas afetadas.
Na quinta-feira, técnicos do ONS, das empresas de transmissão e distribuição que atuam nas regiões atingidas, além de representantes do Ministério de Minas e Energia e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), se reúnem na sede do operador, no centro do Rio, para discutir as causas da interrupção.
O ONS descarta falha na manutenção de equipamentos e diz que não há notificação de queimadas na região, outra causa recorrente de interrupções deste tipo. A expectativa é que, até o fim da reunião, seja identificada a causa do curto circuito duplo.
"Se tivesse falha ou desgaste, diz, o sistema de proteção não teria sido a acionado imediatamente, interrompendo o fornecimento", diz Chipp.
Fonte: Site Jornal Folha de São Paulo