Baixa taxa de desemprego, fenômeno que se mantém na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), pode ser oportunidade para qualificar os postos de trabalho e aproveitar a busca por mais escolaridade dos jovens. Duas condições, assinaladas pelo economista e pesquisador da FEE Raul Luís Assumpção Bastos, podem influenciar nos processos de inovação das empresas. Bastos buscou, em análise na Carta de Conjuntura, decifrar o “enigma” do pleno emprego em mercados de algumas regiões metropolitanas. A de Porto Alegre é a mais emblemática, com taxa de 6,2% em novembro de 2013, a última divulgada pelas instituições que elaboram a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).
O economista comparou a trajetória do indicador nos meses de outubro, que, no ano passado, cravou o menor desemprego da série, apurada desde 1992, de 6,1%. “Uma questão instigante que se coloca é saber por que essa taxa vem decrescendo, já que, desde 2011, o ritmo de geração de vagas de trabalho vem arrefecendo”, insere Bastos. Para a RMPA, há mais singularidades. O economista lembra que a desocupação recua no universo gaúcho, enquanto a tendência é de alta nas demais regiões, puxada pelo Nordeste, reforçado com a relação entre a taxa média metropolitana, de 9,8%, e a local, de 6,1%, em outubro. “A razão é de 1,61 entre a média geral e a da RMPA”, assinala Bastos.
Três elementos interferem nesta equação. O mais forte foi a contenção do avanço da População Economicamente Ativa (PEA), porção da População em Idade Ativa (PIA) que busca ocupação ou está trabalhando. O pesquisador aponta que a PEA aumentou 4,7% em 2008, foi perdendo impulso na expansão e reduziu em 2009 (1,4%) e 2012 (1,2%). “Esta trajetória de queda contribuiu para manter a tendência de baixo desemprego”, vincula.
Outro fato é que a ocupação, mesmo desacelerada recentemente, cresceu em 32 dos últimos 34 meses (até outubro de 2013). Até a estabilidade no aumento da força feminina no mercado (que explodiu nos anos de 1990), a partir de 2001, deu uma mãozinha. A menor fatia de jovens até 24 anos que não está na PEA, em parte adiando o ingresso no mercado principalmente para estudar, foi o segundo ingrediente neste caldo de pleno emprego conjuntural. Até o baixo crescimento da economia, em 2013, pesou neste freio de taxas, completou.
Fonte: Site Jornal do Comércio