O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, segue o mau humor nos mercados dos Estados Unidos e registra queda nesta terça-feira (6) com os investidores aguardando a divulgação de balanços de empresas em um dia de agenda econômica sem indicadores de relevância. Às 11h (horário de Brasília), o Ibovespa tinha desvalorização de 1,55%, a 47.681 pontos. Ontem, o índice fechou seu segundo dia seguido em baixa, aumentando a perda acumulada no ano para em torno de 20%. Para Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos, o mercado está cauteloso à espera de resultados importantes que serão divulgados nesta semana, como os da Petrobras e da Vale. "Imagino que os balanços dessas empresas não devem ajudar a impulsionar o Ibovespa para cima, pois podem trazer números piores que os anteriores", avalia. Às 10h58, as ações da mineradora MMX, de Eike Batista, lideravam os ganhos do Ibovespa, com alta de 1,94%, para R$ 1,58. No sentido oposto, os papéis da produtora de papel Klabin encabeçavam as maiores perdas do Ibovespa, cedendo 2,50%, para R$ 10,51. A queda dos papéis mais negociados de Petrobras (-1,74%) e Vale (-0,59%) às 11h01 influenciava no desempenho negativo do Ibovespa, uma vez que essas duas ações, juntas, representam em torno de 17% do índice. CÂMBIO No câmbio, o dólar à vista --referência para as negociações no mercado financeiro-- tinha desvalorização de 0,11% em relação ao real às 10h54, cotado em R$ 2,301 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial --utilizado no comércio exterior-- estava estável em R$ 2,303. Ontem, a moeda americana fechou pela segunda vez em três dias acima de de R$ 2,30, patamar apontado por especialistas como limite de uma banda informal aceita pelo governo --que não prejudica a inflação nem as empresas exportadoras--, mas não houve intervenção do Banco Central. Para Reginaldo Siaca, superintendente de câmbio da Advanced Corretora, o dólar já subiu além do que deveria. "Está em um nível muito elevado para uma economia que está querendo conter a inflação", avalia. "Pelo impacto na inflação, o preço do dólar não pode subir mais que isso [R$ 2,30]. O BC pode atuar de forma mais pesada no mercado de câmbio se a moeda americana continuar subindo. Ele pode, por exemplo, vender dólar no mercado à vista, aumentando o volume de moeda americana no mercado brasileiro e diminuindo a quantidade de reais", acrescenta Siaca. Outra opção mais agressiva que o BC poderia adotar se pretende derrubar o dólar, segundo Prado, do Grupo Fitta, seria o corte na cobrança de 6% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas captações de curto prazo --até um ano. "Isso só deve ser adotado, no entanto, caso o aumento do dólar saia do controle e ultrapasse bastante os atuais R$ 2,30", diz. "Não vejo isso acontecendo no curto prazo", completa. Fonte: Site Jornal Folha de São Paulo