O estudo "Vidas Perdidas e Racismo no Brasil", publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada na véspera do Dia da Consciência Negra, revela que qualquer jovem negro ou mulato vive sob um risco 3,7 vezes maior de ser assassinado do que um jovem branco.
Detalhe: ele tem também três anos a menos de expectativa de vida.
De acordo com o estudo, é a cor - e não as condições socioeconômicas - o fator determinante sobre as taxas de homicídio no Brasil. Entre negros, são 36,5 casos a cada 100 mil, ante 15,5 casos para homens brancos.
A análise feita por Daniel Cerqueira e Rodrigo Moura, da Fundação Getúlio Vargas, indica que os dois fatores somados ampliam a vulnerabilidade da população negra à violência.
A cultura racista se sobrepõe ao reforçar estereótipos do negro como "perigoso", de modo que sua existência "valeria menos que a vida de um branco".
A polícia, como "a ponta do sistema criminal mais perto do cidadão", tem papel fundamental na disparidade estatística da violência, segundo o estudo. "Não é difícil colecionar situações em que as abordagens policiais e o uso excessivo da força são totalmente diferenciados quando as relações se dão com cidadãos negros".
Fonte: Site Espaço Vital