O fim de ano está chegando, e, talvez mais esperado pelos trabalhadores, também o 13º salário para 82,3 milhões de brasileiros. O benefício, cujo prazo para o pagamento da primeira parcela encerra-se no próximo dia 30 (a segunda parcela pode ser paga pelos empregadores até 20 de dezembro) deverá movimentar mais de R$ 143 bilhões, segundo pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo economistas e educadores financeiros, além de financiar o consumo tradicional das festas, os recursos deverão ser utilizados principalmente para a criação de poupanças e pagamentos de dívidas, preferencialmente após renegociação.
Livrar-se das contas acumuladas, aliás, quase sempre um dos primeiros conselhos dados por especialistas, tende a ser um movimento menor do que nos últimos anos. Segundo pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e do Instituto Ipsos, essa será a opção de 24,5% dos beneficiados com a primeira parcela do 13º neste ano - na edição anterior da pesquisa, em 2012, esse fora o destino escolhido por 32,6% dos entrevistados. “Embora as dicas nunca mudem de um ano para o outro, essa é uma boa novidade específica desse período”, afirma o professor da Faculdade de Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Flavio Fligenspan. “Com a dificuldade dos últimos anos, parece que as pessoas aprenderam que não se faz dívida primeiro para só depois ver como se resolve”, segue, referindo-se ao aumento de 15% na inadimplência de pessoas físicas entre 2011 e 2012, apontados em levantamento da Serasa Experian.
Para quem convive com a pressão de dívidas que saíram fora do seu controle orçamentário, porém, o conselho segue o mesmo: quitá-las. “Quem tem um débito mas está com ele sob controle, já programado dentro de seu orçamento normal, não tem por que adiantar parcelas em vez de fazer uma reserva para eventualidades”, defende Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira. “Quem está fora de controle, porém, não tem muita opção. Mas pagar a dívida sem se reeducar, é jogar o 13º no lixo, porque logo estará endividado de novo”, afirma, alertando tratar-se de uma questão mais de comportamento do que exatamente de planilhas.
Além da reeducação financeira, a cautela com o uso do benefício também é indicada para quem está com a corda no pescoço. Principalmente em relação a dívidas de cartão de crédito e cheque especial, que carregam grandes taxas de juros, a renegociação pode ser um melhor caminho do que o pagamento imediato com o 13º, dependendo da situação, segundo Marcelo Maron, consultor de finanças pessoais e diretor do Grupo Par. “Esses tipos de dívida, por não conterem nenhuma garantia por parte do devedor, acabam por serem mais fáceis de negociar”, afirma Maron, que relata o fato de que, com a renegociação e o passar do tempo, os débitos podem receber descontos de até 90% da dívida original.
Para o consultor de finanças, outra possibilidade é transformar a natureza do débito, pagando a dívida original e, em seu lugar, assumindo um empréstimo com taxas mais acessíveis, de até 3%, diferentemente dos juros exercidos por operadores de cartão de crédito, que Maron classifica como “abusivos”.
Fonte: Site Jornal do Comércio