Dirigentes das federações empresariais gaúchas reuniram-se ontem com o secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), Marcelo Danéris, e apresentaram uma proposta de reajuste de 5,3% do salário-mínimo regional para o próximo ano.
O encontro, que aconteceu na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), teve a participação dos dirigentes Carlos Sperotto (Farsul), Heitor Müller (Fiergs), Zildo de Marchi (Fecomércio), além do vice-presidente da FCDL, Fernando Luis Palaoro, e do representante da Federasul Ivanir Rocha. Já está marcada para a próxima terça-feira, dia 12, uma reunião para levar a proposta ao governador Tarso Genro.
A proposta dos trabalhadores, que reivindicam 16,81% a partir de 1 de janeiro, foi levada ao governador no dia 23 de outubro. Eles pedem ainda a inclusão de novas faixas para o recebimento do piso e alterações de faixas para categorias com salários defasados. Segundo Danéris, os empresários, originalmente contrários ao piso regional, defenderam o fim do benefício e pediram a exclusão das faixas e a não inclusão de categorias que têm data base ou representação sindical.
“Nós temos uma posição clara. Vamos manter e valorizar o mínimo regional. Nós temos uma política de distribuição de renda combinada com apoio ao setor produtivo”, afirmou Danéris. De acordo com ele, após a reunião com o governador, será criado um grupo de trabalho para elaborar a proposta que será enviada à Assembleia Legislativa ainda em novembro. “Vamos achar um ponto de equilíbrio”, completou.
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Claudir Nespolo, já era esperado que as entidades empresariais pedissem o fim do piso regional. “Independente da vontade das entidades empresariais, temos convicção de que o governador vai continuar valorizando o piso regional. É um pleito das centrais sindicais de forma unificada. Os empresários tiveram ganhos extraordinários com a desoneração da folha de pagamento, com a redução do ICMS em várias linhas de produtos e com a redução na energia elétrica”, disse. “A valorização do mínimo regional é um fator determinante para o desenvolvimento de longo prazo e para todos”, destacou ainda.
A assessoria de imprensa da Farsul informou que as entidades só vão se pronunciar sobre o tema após essa apresentação de sua proposta ao governador.
Atualmente, o salário-mínimo regional tem quatro faixas salariais, que vão de R$ 770,00 até R$ 837,40. As centrais sugerem a criação da Faixa 5, com valor de R$ 1.200,00, para técnicos de nível médio, e também da Faixa 6, entre R$ 1.950,00 e R$ 2.300,00, para profissionais de nível superior. Trabalhadores de muitas categorias também reivindicam a mudança de uma faixa para outra.
Fonte: Site Jornal do Comércio