O mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre registrou melhora em setembro, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada em conjunto pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/RS). O resultado se deu em vista do aumento do nível ocupacional (0,7%), puxado pela indústria (5,4%), que teve um acréscimo de 16 mil trabalhadores, em paralelo à redução do desemprego, cuja taxa caiu de 6,5% para 6,2%. Esta foi a menor taxa de desocupados registrada desde o início da série da PED, há 20 anos.
O número total de ativos fora do mercado, em setembro, foi estimado em 117 mil pessoas, 5 mil a menos que em agosto. Entre os ocupados, o total estimado é de 1,7 milhões. “Em julho e agosto deste ano, havia um número menor de trabalhadores empregados, se comparado ao mesmo período de 2012. Em setembro, esta situação foi revertida”, analisa a economista da FEE, Miriam De Toni. Ela considera que o ótimo desempenho da agricultura, junto com o comportamento positivo das exportações, e fato de que do segundo semestre do ano é mais produtivo, devido às demandas de final de ano, contribuíram para o bom resultado no mercado de trabalho. “Principalmente, há todo um círculo virtuoso, influenciado pela safra agrícola deste ano, que está refletindo nos dados de toda a economia do Estado”, sinaliza.
O estudo aponta que o incremento do emprego foi impulsionado pelo setor privado, principalmente pelos postos para assalariados com carteira assinada. “O bom resultado no setor industrial repercutiu no setor privado”, relaciona a coordenadora da PED pelo Dieese/RS, Ana Paula Sperotto. Com relação aos rendimentos do total de ocupados, em agosto a variação foi negativa (-0,3%) quando comparada com o mês anterior. “Isso pode estar ligado ao fato de que as vagas preenchidas ocorreram em postos com níveis salariais mais baixos”, sugere Ana Paula, explicando que este é um fator que acaba refletindo no rendimento médio de ocupados.
No decorrer dos últimos 12 meses, a variação (0,5%) do nível ocupacional registrou “relativa estabilidade” no emprego, conforme o estudo. Mesmo assim, a taxa de desemprego reduziu (em -10,1%) neste período, em vista da saída de pessoas do mercado de trabalho, que passaram a ocupar a categoria de inativos. O setor de serviços foi o que apresentou menor índice de ocupação, perdendo 26 mil pessoas. Já o comércio e a indústria ajudaram a inflar a taxa de emprego no período. Na comparação anual, o contingente de desempregados apresentou diminuição de 14 mil pessoas. Os rendimentos também foram mais positivos em setembro deste ano, em comparação a 2012 – neste período houve incremento dos ocupados (4,1%) e dos assalariados (3,2%).
Desconsiderando o Distrito Federal, a capital gaúcha ficou em terceiro lugar no ranking dos melhores rendimentos entre os ocupados, com uma média real de R$ 1.755,00. Das sete regiões pesquisadas no País, Porto Alegre e cidades do entorno apresentaram a menor taxa de desemprego ao longo do ano, inclusive em setembro. A segunda menor do mês ocorreu na Região Metropolitana de Belo Horizonte (7,2%).
Fonte: Site Jornal do Comércio