O delito consiste em ludibriar vítima de boa-fé e gananciosa, oferecendo-lhe grandes vantagens aparentes. Alguém já poderia imaginar que a expressão está ligada a alguma conduta inadequada de vigário ou padre. A etimologia encarrega-se de desmentir isso.
Vigário vem do latim “vicarius” e este, de “vix, vicis”, que significa vez. Daí a palavra vice: que está em vez, aquele que substitui outro.
É o caso do vice-prefeito, vice-governador, vice-presidente, etc. Na ausência ou impedimento do titular, entram em seu posto e o substituem.
Na linguagem eclesiástica, vigário é o que ocupa o lugar do pároco, de outro padre, do bispo, do papa e, enfim, de Deus. Semanticamente, conto do vigário é o golpe em que alguém se faz passar por outro.
E, com certeza, alguém já deve ter aplicado o golpe fazendo-se passar por padre, por vigário, aproveitando-se, nesse caso, da credibilidade de que desfruta o integrante da Igreja, especialmente entre o povo mais humilde.
Como teria acontecido o primeiro conto do vigário ?
Uma das versões mais populares e famosas teria acontecido na cidade de Vila Rica, atual Ouro Preto (MG), durante o período colonial.
Na época, a coroa espanhola doou para a cidade uma imagem de Nossa Senhora dos Passos. No local, havia duas igrejas: Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Pilar. As duas entraram em disputa pela imagem.
Diante do impasse, o vigário de Pilar propôs uma solução: colocar a estátua em cima de um burro no meio do caminho que separava as duas igrejas. A imagem ficaria com aquela para a qual o animal tomasse a direção.
Assim foi feito, e o burro dirigiu-se de pronto para a Igreja do Pilar. Descobriu-se, depois, que o burro pertencia ao padre de Pilar e, como animal obediente e adestrado, seguiu o caminho de seu dono.
Bela vigarice de um vigário!
Fonte: Site Espaço Vital