A greve nacional dos bancários, deflagrada há quase duas semanas, é considerada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) a maior paralisação dos últimos 20 anos, com mais de 11 mil agências e centros administrativos fechados no País. No Estado, quase mil agências estão com as atividades paralisadas ou reduzidas, sendo 324 delas na Capital e na Região Metropolitana.
De acordo com Mauro Salles Machado, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), a adesão dos trabalhadores à greve continua crescendo. “A última proposta apresentada pelos banqueiros foi de 6,1% de reajuste. Essa porcentagem é inaceitável. Enquanto não for enviada uma proposta decente, a categoria continuará paralisada”, afirma.
A reinvindicação dos bancários é de reajuste salarial de 11,93%, fixação do piso da categoria em R$ 2.860,21 e auxílio-alimentação, refeição, educação e creche/babá, no valor de R$ 678,00 por mês. Além disso, os trabalhadores pedem melhores condições de trabalho, com o fim das metas consideradas abusivas, proteção contra assaltos e sequestros, igualdade de oportunidade para homens e mulheres e contratação de 20% de negros.
Salles ressalta que a categoria também luta pelo fim das terceirizações. “Realizaremos amanhã (hoje) um ato público na Praça da Alfândega contra o Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a contratação de terceirizados. O objetivo é tentar barrar a aprovação do PL no Congresso Nacional”, explica. A concentração para o ato começa às 13h. Posteriormente, às 15h30min, a categoria realiza uma assembleia para avaliar o andamento da greve.
Segundo a Contraf-CUT, a paralisação foi deflagrada no dia 19 de setembro porque os bancos, em cinco rodadas duplas de negociações, propuseram apenas a reposição da inflação e recusaram as demais reivindicações econômicas e sociais. No primeiro dia, foram fechadas 6.145 agências no País. Desde então, as filas nas casas lotéricas, que aceitam o pagamento de contas, vêm crescendo dia após dia.
Questionada pelo Jornal do Comércio sobre as reivindicações dos trabalhadores e o andamento da negociação, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que não tinha nenhuma informação para acrescentar.
Fonte: Site Jornal do Comércio