Você foi abrir uma lata e se machucou; ao subir na escada portátil, cortou-se; o tampo do fogão já explodiu em suas mãos. Essas situações já podem ter acontecido no dia a dia de várias pessoas, que não fizeram nada além de se medicar e seguir em frente até o próximo acidente de consumo – quando um produto ou serviço prestado provoca dano ao consumidor, mesmo quando utilizado ou manuseado de acordo com as instruções de uso dadas pelo fornecedor. Mas saiba que, no Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) monitora casos de acidentes de consumo desde 2006, por meio de um banco de dados. “O número de relatos de acidentes de consumo em geral aumenta a cada ano de 15% a 20%”, calcula o assistente da diretoria de avaliação da conformidade do Inmetro, Paulo Coscarelli. Para ele, a demanda no órgão tem aumentado devido à divulgação cada vez maior do Inmetro e porque o consumidor está mais consciente, buscando mais os canais competentes para poder relatar o acidente. “A conscientização é maior tanto por parte do setor produtivo como do consumidor”. Além disso, o órgão realizou uma pesquisa com cerca de 700 pessoas entre os dias 28 de dezembro de 2014 e 28 de janeiro de 2015, com objetivo de identificar, na população, os produtos e serviços que oferecem mais risco à saúde e à segurança dos consumidores. Acidentes com embalagens de lata lideram as estatísticas, com 14,6%. “A lata é um produto que está no dia a dia das pessoas, e encontramos dois tipos de caso: embalagem insegura e informações insuficientes para o consumidor manuseá-la”, justifica Coscarelli.
Fogões (11,5%) e escadas domésticas (3,8%) tiveram percentual alto de relato na pesquisa. “No caso de fogão, são o corte ao limpá-lo, o vidro temperado da tampa que explode e queimaduras”, conta Coscarelli. Sem exclusividade. O resultado da pesquisa surpreende? Coscarelli prefere dizer que isso não é um problema exclusivo do Brasil. “Em outros países os problemas são muito semelhantes, como nos Estados Unidos, Canadá e Austrália”. Para Coscarelli, eliminar o risco de qualquer produto é algo utópico, mas é possível colocá-los dentro de um nível de segurança adequado, com base nos relatos de acidentes. Alguns exemplos são os carrinhos de bebê, que evoluíram, o programa de certificação de fogões, que contempla proteção contra bordas cortantes, e as escadas domésticas. “O Inmetro realiza uma avaliação sistemática, o que faz com que o produto atinja um nível de segurança maior”, diz.
Além de fazer o relato, Coscarelli diz que a pessoa pode reclamar dos produtos no Procon e na Ouvidoria do Inmetro. Nesse caso, o consumidor recebe uma resposta em até 15 dias sobre o assunto.
Fonte: Site IG