Empresas listadas na BM&FBovespa com capital disperso, no qual o maior acionista tem apenas 10% das ações com direito a voto (ordinárias), pagam mais a seus principais gestores. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) apontou que a remuneração de diretores executivos de companhias com ações pulverizadas (outra denominação a organizações sem concentração de ações nas mãos de um único dono) chega a ser seis vezes superior a outros tipos de controle, como o estatal, que sofre limitações legais para o pagamento dos ocupantes, ou três vezes mais que os negócios de perfil familiar, que apresentam a segunda menor média de salários.
Quando a vaga é de conselheiro de administração, a maior diferença é de 252% sobre os valores pagos por empresas de capital estrangeiro. Outra diferença é verificada entre o grupo que repassa informações completas com remuneração mínima, média e máxima, e a ala que não cumpre a instrução 480 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em vigor desde 2010 e que passou a exigir as informações como forma de ampliar a transparência da política de pagamentos. Empresas (15,65% do grupo avaliado este ano pelo IBGC) que não informam todos os patamares pagam quase duas vezes mais a executivos do que o grupo que segue a regra da CVM. Para conselheiros, a diferença é de quase 100%. O grupo que não segue a instrução se beneficia de uma liminar judicial.
Neste aspecto, a coordenação do estudo pelo IBGC aponta que reduziu o número de listadas que omitem os dados. Na edição de 2012, a fatia representava 18,65%. “Quem não repassa tem de aprender a lidar com transparência, pois o benefício dessa prática é muito maior do que qualquer prejuízo pessoal que possa ser alegado”, adverte o coordenador do Capítulo Sul do IBGC, Robert Juenemann. O coordenador compara a reação a condutas verificadas no setor público, diante de leis que exigem a divulgação de vencimentos. O estudo da instituição que se dedica a fomentar a governança corporativa focou 417 companhias com negociação nos pregões da BM&FBovespa.
As remunerações de conselheiros de administração indicaram que na maior parte dos segmentos da bolsa (tradicional, Nível 1 e 2 e do Novo Mercado) houve elevação dos valores bem acima da inflação. Apenas o tradicional não teve comparação, pois ficou fora da análise na pesquisa de 2012. Na diretoria, o Nível 2, que teve recuo nas verbas no ano passado, avançou quase 20% na média dos ganhos. Nos postos de conselheiro fiscal, os vencimentos são mais equilibrados e com valores bem abaixo dos praticados nos outros dois cargos.
Na pesquisa com as gaúchas listadas na bolsa, foram computados este ano 25 companhias que responderam aos formulários da CVM sem liminar nos conselhos de administração. Em 2012, havia sido apenas 11. Juenemann avalia que a queda na remuneração anual (R$ 146,4 mil, em 2012, pra R$ 82 mil) seja efeito da maior base de dados, com ingresso de negócios de menor porte que adotam vencimentos menores. Os dados da pesquisa reforçam que companhias com faturamento anual até R$ 500 milhões praticam valores bem inferiores aos grupos com mais receita. No cargo de diretores executivos e conselheiros fiscais, o recuo entre as operações com sede no Estado é menor entre os dois anos avaliados.
O coordenador do IBGC aponta que a maior remuneração dos ocupantes de conselhos de administração – entre indicados por acionistas e independentes – por companhias de capital disperso e familiar sinaliza que há preocupação no papel estratégico da função. Além disso, 77% das empresas não pagam benefício variável aos conselheiros que decidirão rumos de longo prazo do negócio. “Esta é uma boa prática, pois o conselheiro deve pensar a empresa no longo prazo e não estar preso a resultados imediatos, vinculados a fatias variáveis da remuneração”, justifica o dirigente.
Os setores que praticam os maiores valores para conselheiros de administração são madeira e papel, previdência e seguros e máquinas e equipamentos. Nos postos de diretoria executiva, serviços financeiros diversos, madeira e papel e petróleo, gás e biocombustíveis lideram. O cargo de conselheiro fiscal recebe o benefício maior das grifes de telecomunicações, que deve ter relação com regras rígidas e fiscalização acirrada de órgãos reguladores.
Fonte: Site Jornal do Comércio