Com a atual legislatura da Câmara Municipal de Porto Alegre ingressando em seu terceiro ano, alguns vereadores, descontentes com o rumo de seus respectivos partidos, estudam trocar de sigla para concorrer a um novo mandato em 2016, ano de eleições municipais. Os mais próximos disso são Rodrigo Maroni (PCdoB), Thiago Duarte (PDT) e Bernardino Vendruscolo (Pros).
Da base aliada do prefeito José Fortunati (licenciado do PDT), Thiago Duarte, que já tentou inclusive emplacar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na área da saúde, cogita ingressar em outra sigla. Ele diz que se sente desconfortável no PDT.
"Estou vendo que o que está no estatuto do partido, colocado como ideias e ideais, não está sendo cumprido. Não tenho nenhum cargo no governo nem quero ter, mas fui convidado para falar sobre saúde em outros partidos, no PMDB, no Solidariedade, já falei nos partidos menores, agora o PDT além de não ter me convidado, quando falo não sou escutado, não há consideração", alegou o pedetista. "Nós fizemos três relatórios da saúde pública municipal, e encaminhei ao prefeito, ao partido e publiquei. Fui ouvido. Então, parece que não tem eco partidário todo o levantamento e todas as contribuições que eu tenho a dar. Essa é a mágoa", afirmou.
Idealizado pela ex-senadora Marina Silva, quando deixou o Partido Verde (PV) após uma expressiva votação nas eleições de 2010, a Rede Sustentabilidade pode sair do papel ainda neste ano. No Rio Grande do Sul, a nova sigla poderá surgir com representação no Legislativo da Capital através do vereador Rodrigo Maroni (PCdoB), que, desde o início do ano, ocupa a vaga deixada por João Derly (PCdoB) ? eleito deputado federal no ano passado ? e é um dos entusiastas da nova sigla.
A expectativa de Maroni é que, em maio, a Rede Sustentabilidade seja criada oficialmente ? a legenda está em processo de coleta de assinaturas para oficialização de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma das principais motivações de Maroni para aderir à sigla, segundo ele, é a chance de trabalhar por um partido "menos viciado".
"O principal fator motivador da Rede é ser um partido novo, menos viciado, que se dispõe a construir com pessoas novas, figuras novas, não trazendo aquelas figuras tradicionais da política", explicou Maroni, que citou vereadores de Cachoeirinha, Passo Fundo e outras cidades do Interior que também podem migrar para a Rede.
Questionado se sua saída do PCdoB é certa, caso a Rede seja realmente criada, Maroni diz que está dialogando com sua atual sigla. "Estou em tratativas. Se o PCdoB não fizer nenhum movimento de reaproximação, a tendência é de eu sair", afirmou.
O vereador Bernardino Vendruscolo, que teve passagens pelo PMDB e pelo PSD e atualmente é o único da bancada do Pros na Câmara, diz estar estudando a possibilidade, mas, ao mesmo tempo, se diz decepcionado com os partidos.
"Sou dos mais desmotivados com essas questões partidárias", afirma Vendruscolo, que chegou a ser presidente do Pros no Estado, mas que, por discordar de alianças durante a eleição de 2014, deixou a direção da sigla. Para trocar de partido sem perder o mandato, os vereadores precisam ser expulsos das siglas, provarem que o partido não os dá espaço ou ingressarem em uma agremiação partidária que tenha sido criada recentemente.
Ao longo da atual legislatura, dois vereadores da base aliada de Fortunati adotaram uma postura independente, mas não cogitam trocar de partido por conta disso. Delegado Cleiton (PDT) diz que só deixa a sigla caso o partido não o queira mais. Lourdes Sprenger (PMDB) garante ser "peemedebista" com orgulho, mas que não vota a favor de projetos que contrariem seus ideais, o que justificaria os votos contrários a projetos do Executivo.
Fonte: Site Jornal do Comércio