Coordenador da área de direitos humanos do Ministério Público enfatiza necessidade de um olhar humanizado por parte dos profissionais
O impacto na redução da criminalidade é maior por meio de investimentos em saúde do que no próprio combate ao crime. A constatação do promotor de Justiça Mauro Souza foi um dos temas tratados por ele em palestra proferida na semana passada na Associação Brasileira em Defesa dos Usuários de Sistemas de Saúde (Abrasus), em Porto Alegre.
Souza é coordenador operacional dos direitos humanos do Ministério Público do Rio Grande do Sul e falou sobre a efetiva implantação do direito à saúde no Brasil. Conforme o representante do Ministério Público (MP), a principal dificuldade encontrada hoje pela população é ter acesso amplo aos sistemas de saúde, tanto público quanto privado.
De acordo o promotor, uma real efetivação do direito à saúde iria impactar em diversas outras áreas, como, por exemplo, a segurança pública. "Quando há problemas de falta de criminalidade alta, uma das iniciativas dos órgãos públicos é investir em segurança. Entretanto, a saúde é capaz de combater a criminalidade com investimento mais viável. Para manter um adolescente na Fase (Fundação de Atendimento Socioeducativo), são gastos cerca de R$ 4,5 mil por mês. Já uma consulta médica do programa de Saúde da Família gira em torno de R$ 10,00", enfatizou. O representante do Ministério Público comentou sobre as iniciativas do órgão na área, destacando o projeto "Transformando a Saúde no RS". "O foco do projeto é a saúde coletiva. Quando olhamos para um indivíduo, precisamos enxergar nele toda a comunidade, e não apenas um cidadão com seus problemas individuais", explicou Souza.
Segundo o promotor, uma das principais dificuldades na gestão do sistema de saúde é a má organização dos investimentos, o que gera um descompasso. "O Rio Grande do Sul tem 92% do orçamento para a saúde investido em instalações hospitalares, o que é apenas 6% dos atendimentos. Os 8% restantes do orçamento acabam sendo destinados à 94% dos serviços de atenção", ressaltou.
Uma das bandeiras do MP é a humanização do atendimento, ou seja, o médico deve conhecer seu paciente para poder avaliá-lo. "Isso é essencial tanto para prescrever receitas, como para encaminhar procedimentos de complexidade, pois, além de o paciente ser bem atendido no momento, os próximos processos serão ágeis e corretos."
Uma das formas de proporcionar uma atenção mais humana aos pacientes é não encurtar o tempo dispendido nas consultas a fim de atender a um maior número de pessoas. "Uma consulta médica deveria durar cerca de 15 minutos, em média. Contudo, para todos os pacientes serem examinados dessa forma, seria necessário contratar funcionários para suprir a demanda de usuários, além de ser proporcionado condições básicas de trabalho", concluiu.
Fonte: Site Jornal do Comércio