Em sua primeira agenda em Brasília como secretário estadual de educação, Vieira da Cunha (PDT) participou ontem, de uma reunião no Ministério da Educação (MEC) para discutir diversos assuntos relacionados à pasta. A reunião, que contou com a presença do ministro Cid Gomes (Pros), reuniu 23 dos 27 secretários de Educação do País.
Durante o encontro, Vieira reivindicou que a União complemente os recursos necessários ao pagamento do piso do magistério, uma vez que o Rio Grande do Sul, assim como a maioria dos estados, não tem condições de cumprir o reajuste de 13,01%, previsto pelo MEC. “Todos nós queremos e gostaríamos de dar um reajuste como este, mas, infelizmente, a situação que encontramos nos cofres públicos não nos permite fazê-lo com recursos próprios”, disse Vieira. O secretário afirmou ainda que é necessário discutir os critérios da Lei do Piso para viabilizar o auxílio da União aos estados, como é o caso do Rio Grande do Sul, que vivencia dificuldades orçamentárias. Vieira foi autor, quando era deputado federal, de um projeto de lei que altera o artigo 4º da Lei do Piso, obrigando o governo federal a repassar recursos aos estados e municípios que não consigam honrar o pagamento do piso aos professores.
Outros assuntos abordados na reunião foram os critérios de avaliação do Ensino Médio e a prioridade às escolas de tempo integral. Vieira aproveitou para convidar o ministro Cid Gomes para visitar o Estado e conhecer melhor a realidade da educação gaúcha.
CNM QUER MODIFICAÇÃO NO CÁLCULO
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) reivindica alterações no cálculo do piso do magistério e protocolou na segunda-feira, pedido de audiência com o ministro da Educação, Cid Gomes (Pros). O piso salarial dos professores, definido em lei de 2008, deve ser reajustado em 13,01%. De acordo com a projeção, o valor aumentará de R$ 1.697,39 para R$ 1.918,16 em 2015.
A entidade municipalista argumenta que o aumento tem sido muito superior à inflação e ao crescimento das receitas municipais, provocando impacto nas contas das prefeituras. O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê equiparar o rendimento médio dos professores ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente até o final do sexto ano de vigência do plano. Pesquisas apontam que o ganho médio dos professores é 40% mais baixo do que de profissionais com a mesma titulação.
Conforme o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o novo piso significará, no total, um aumento de cerca de R$ 7 bilhões nos gastos dos municípios. “Ninguém é contra o piso”, justifica, “mas o problema vem se acumulando, está tirando muito qualidade da educação, não tem dinheiro para reformar as escolas, dar infraestrutura”, diz.
O Ministério da Educação (MEC) deve anunciar ainda nesta semana o novo valor. De acordo com a chamada Lei do Piso (11.738/2008), o critério para reajuste é a variação entre o valor aluno/ano dos ciclo inicial do Ensino Fundamental urbano do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) nos dois anos anteriores. Esse reajuste deve ser concedido em janeiro.
Os cálculos levam em conta a variação entre as estimativas do custo aluno por ano do Fundeb de R$ 2.022,51 para 2013 e de R$ 2.285,57 para 2014. O piso salarial passou de R$ 950,00 em 2009, para R$ 1.024,67 em 2010, e R$ 1.187,14, em 2011. Em 2012, o valor era R$ 1.451,00; em 2013, passou para R$ 1.567,00; e, em 2014, foi reajustado para R$ 1.697,39.
Fonte: Site Jornal do Comércio