Parece que quatro meses foi pouco tempo para mudar uma cultura de décadas dos porto-alegrenses. Pelo menos é o que pensam comerciantes e moradores do bairro Cidade Baixa, na Capital, que não sentiram alterações nos hábitos da população desde que o novo Código Municipal de Limpeza Urbana foi implantado, em abril deste ano.
Segundo Taís Castro, gerente de uma tabacaria na rua General Lima e Silva, mesmo com a disponibilização de porta-bitucas de cigarro ao longo da via, os transeuntes as jogam no chão. “Ninguém está respeitando. As pessoas vêm aqui, compram cigarros avulsos e atiram o que sobra em qualquer lugar. É uma cultura muito antiga”, lamenta. Em relação a mudanças do próprio estabelecimento, nenhuma foi necessária. “Já separávamos o lixo, e temos um local aqui dentro da loja para guardar o material seco enquanto não chega o dia da coleta”, informa Taís.
O mesmo transtorno com o descarte irregular de bitucas de cigarro por parte de quem circula pelas ruas é sentido por Marcelo Marcello, proprietário de um salão de beleza na Rua da República. “Este é um bairro muito rotativo, talvez por isso as pessoas joguem seus resíduos pelas vias e a fiscalização não seja tão rígida. Todos os dias, preciso retirar as pontas de cigarro dos canteiros”, reclama.
O empresário diz que um comerciante da região foi multado por descarte irregular, mas questiona a viabilidade de aplicação do código. “Há muitos estabelecimentos que, como o meu, não têm onde armazenar o lixo seco, já que a coleta passa somente a cada dois dias. Eu utilizo o espaço destinado ao lixo do condomínio onde a minha loja fica, mas o síndico reclama, pois é muita coisa, e pode atrair ratos”, pondera o proprietário. A solução vislumbrada por Marcello seria haver contêineres para lixo seco também.
Luiz Henrique Lima Sabóia, zelador de um prédio residencial na Lima e Silva, não sentiu diferença de abril até agosto. “Inclusive em relação à limpeza das ruas. Toda segunda-feira, precisamos varrer e lavar as calçadas, devido ao cheiro de urina”, afirma. Dentro do edifício, a separação de lixo seco e orgânico é realizada pelos próprios moradores, que levam suas sacolas para o térreo. Lá, Sabóia deposita os resíduos orgânicos em um contêiner em frente ao prédio e mantém os secos em tonéis, até o dia e a hora marcados para a passagem da coleta seletiva.
Desde a aplicação do Código Municipal de Limpeza Urbana até a semana passada, os agentes de fiscalização do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) realizaram 2,4 mil abordagens a pessoas flagradas cometendo algum tipo de infração e receberam 2.195 denúncias de descarte irregular através do telefone 156, da central de atendimento da prefeitura. Dessas, 884 foram notificadas e 377 receberam autos de infração. As regras do novo código podem ser consultadas no site http://www2.portoalegre.rs.gov.br/dmlu/default.php?p_secao=169.
FOCOS IRREGULARES VIRAM CANTEIROS DE PLANTAS
O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) segue fiscalizando bairros já vistoriados em relação ao novo Código Municipal de Limpeza Urbana e dando atenção especial aos focos irregulares de resíduos. A equipe de fiscalização está atuando, no momento, na zona Nordeste da Capital, que abrange bairros como Cristo Redentor, Passo d’Areia, Higienópolis, Protásio Alves e Lindóia.
Os focos de lixo se formam onde ocorre descarte sem nenhum tipo de seleção. Segundo o DMLU, havia, antes do novo código, em torno de 500 locais desse tipo em Porto Alegre. Com as ações de conscientização, ocorreu uma diminuição de cerca de 30% dos focos.
Em lugares com mais resíduos concentrados, a equipe também limpa o terreno e semeia plantas ou flores na área, colocando pneus para inibir o foco. Foi o caso da avenida Paula Soares, no bairro Itú-Sabará, e da rua Madre Tereza de Calcutá, no Rubem Berta.
Fonte: Site Jornal do Comércio