Os preços dos imóveis em Porto Alegre estão em alta e, na avaliação de representantes do setor, devem manter essa tendência. Segundo o índice Fipe Zap (desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas em parceria com o portal Zap Imóveis), o metro quadrado da capital gaúcha chegou a R$ 4.637,00 em agosto, 2,1% mais caro do que no mês anterior – elevação acima da média nacional, de 1,2%. Desde janeiro de 2013, a valorização dos imóveis em Porto Alegre chega a 9,1% (ante 8,5% em outras 15 cidades avaliadas) e, nos últimos 12 meses, a variação acumulada alcança 13,5% (ante 12,3% em outras 15 cidades avaliadas).
Para o presidente do Secovi/RS (Sindicato Intermunicipal das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais no Rio Grande do Sul), Moacyr Schukster, o aumento no preço dos imóveis é “razoável”, considerando uma inflação de 6%, e deve se manter. O principal motivo dessa tendência, diz ele, é a escassez de terrenos na Capital. “Os terrenos estão caros, e há poucos em áreas nobres. A escassez de áreas faz com que o interesse se alastre para bairros mais distantes. Com isso, muitos bairros estão se valorizando”, diz. “Além disso, em Porto Alegre o plano diretor tem muitas restrições para o aproveitamento dos terrenos. A construção de prédios mais altos certamente ajudaria a diluir o preço do metro quadrado”, diz.
O presidente do Sindimóveis-RS (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Rio Grande do Sul), Sidney Fontoura Gomes, também vê nos preços dos terrenos um importante motivo para a valorização do metro quadrado da Capital, mas inclui na conta o alto custo com mão de obra e insumos da construção civil. “O custo de mão de obra e de insumos vem aumentando acima de 10% ao ano, e os preços dos imóveis acompanham esse crescimento”, avalia.
Gomes pondera, no entanto, que os valores apontados pelo índice podem diferir da realidade do mercado. Segundo ele, a pesquisa se baseia nos anúncios feitos no site Zap Imóveis e não considera os valores reais da negociação. “Às vezes o imóvel é anunciado em R$ 300 mil, mas é negociado por R$ 270 mil”, diz o dirigente.
Os dirigentes não viram nada de excepcional no fato de o aumento de 2,1% registrado em agosto estar acima da média nacional, de 1,2%. “Se fosse uma pesquisa sobre o preço do tomate, da alface, tudo bem. Mas o imóvel tem um processo de venda mais lento”, diz Schukster. “São muitos fatores que formam o preço do imóvel. Essa variação pode ser só especulação do mercado”, considera Sidney.
No acumulado dos últimos 12 meses, a valorização também está acima da média nacional (13,5% ante 12,3%). Ainda assim, Porto Alegre fica abaixo de Curitiba, Rio de Janeiro, Vitória e São Paulo. Para Gomes, fatores como o alto poder aquisitivo em relação a outros estados, a escassez de areia para construção ou mesmo a necessidade de “importar” de Santa Catarina a cerâmica para acabamento também podem influir nos preços dos imóveis.
Gomes e Schukster concordam que a tendência de alta deve se manter, já que suas causas também se mantêm. “O que está havendo é uma acomodação de preços”, explica Sidney. “O imóvel continua sendo um bom investimento”, sentencia Schukster.
Fonte: Jornal do Comércio