Não estou feliz nesta empresa. Não estou realizado nesta carreira. Calma, ter dúvidas assim é mais comum do que se imagina no mercado de trabalho, e acontece em todos níveis hierárquivos. Principalmente quando as escolhas são realizadas cada vez mais cedo, antes dos 20 anos. Às vezes, reorganizar-se e dar um passo para trás parece equivocado, mas é a forma mais verdadeira de reformular a rota rumo à satisfação profissional.
A incerteza com relação à carreira escolhida traz diversos problemas para o profissional, desde o sentimento de insatisfação pessoal, até o trabalho mal realizado. No entanto, segundo a headhunter Lívia Falland, consultora da De Bernt Entschev Human Capital, consultoria em recursos humanos, é possível identificar sintomas da insatisfação profissional, assim como traçar o que pode ser feito para mudar a situação:
– Se quando o despertador toca de manhã, imediatamente vem a sensação de que encarar um novo dia no ambiente de trabalho será um suplício, este profissional está passando por um momento de carreira crítico: percebeu que não gosta do que faz. Pior, não suporta – diz Lívia.
Confira dicas para identificar seu nível de satisfação profissional:
1 – QUAIS OS SINAIS DE QUE ESTOU DESINTERESSADO ?
Para Livia, o principal alerta é ao acordar: se a vontade de não sair da cama extrapolar com frequência a de ir trabalhar, é bom ficar atento.
– Muitos podem ser os motivos para isso, desde o clima da empresa, as estratégias de gestão, até o conflito de valores entre outras divergências – explica.
De acordo com a especialista, em alguns casos, a resiliência pode ser eficiente e, assim, atenuar esse desgaste. O resultado é natural: algum dia, o deslocamento desse profissional é tão grande que isso o incentiva a sair da empresa ou a trocar de emprego.
O problema, alerta ela, é que até lá, a distração e a falta de motivação para assumir novos projetos podem definir o perfil do trabalhador. Para evitar chegar nesse ponto, a especialista diz que é necessário planejar uma mudança efetiva para que a satisfação profissional possa tomar o lugar da angústia.
2 – COMO REPLANEJO MINHA CARREIRA ?
– Desenhar seus objetivos é muito importante. Traçar metas e então partir para o como. Se hoje estou insatisfeito, sei pelo menos o que não quero mais fazer. A partir disso construir um mapa do lugar onde se pretende chegar, fazer uma lista de interesses e, dentre eles, identificar potencial de negócios ou carreira.
Segundo cita Livia, algumas empresas têm projetos especiais para atender essas necessidades, como aconselhamento de carreira, estudo de mercado e outros.
– Procurar ajuda profissional no caso de um redesenho de carreira é bastante importante para que exista um embasamento técnico dos movimentos futuros – explica.
3 – QUAIS OS RISCOS DE MUDAR DE CARREIRA APÓS TANTO TEMPO NO MERCADO ?
– A paixão unida à profissão é o melhor dos mundos. Quando este não for o caso e a carreira já estiver consolidada em uma determinada área, se a intenção for trocar de setor haverá um custo, uma "bandeirada". O que fará toda a diferença neste caso será a experiência do profissional na nova profissão – relata.
Para a consultora, existem pontos prós e contra. Os prós são que o profissional estará realizando um trabalho que lhe realiza, e assim o fará com facilidade e alegria.
– Pode-se descobrir um pote ao fim do arco íris e tornar-se muito bem sucedido. Une-se então o útil ao agradável – afirma.
Contra estão acabar descobrindo que o novo trabalho não é tudo aquilo que se sonhou e entender que o mercado não corresponde ao esperado.
Por fim, para evitar mais dor de cabeça, cita o planejamento e a cautela como os conselhos de ouro.
– Antes de qualquer mudança, porém, é importante procurar um aconselhamento profissional e colocar sempre tudo na ponta do lápis – conclui.
Fonte: Site Jornal Zero Hora