Sonho de muitos adolescentes e jovens em idade universitária, fazer um intercâmbio cultural em um país da Europa ou da América do Norte está mais acessível. Além da facilidade de crédito e da melhora da renda do brasileiro, que, desde 2010, têm possibilitado a adesão de famílias que anteriormente não teriam condições de bancar o programa de estudo dos filhos lá fora, também a oportunidade de trabalho no decorrer da viagem tem atraído novos consumidores.
“Foi-se o tempo em que só os ricos optavam por este produto”, garante o empresário Flávio Imamura, fundador da rede de franquias da agência de intercâmbio Global Study, com sede em São Paulo. Segundo ele, hoje, 10% dos clientes da marca integram a nova classe C. “Vendemos para diversos perfis: desde motoboy e atendente de rede de fast food até auxiliar administrativo, bancário e estudantes universitários.”
De acordo com levantamento da Brazilian Educational and Language Travel Association (Belta), o número de brasileiros que sai do País para estudar ou trabalhar aumenta a cada ano. Em 2013, mais de 360 mil pessoas viajaram ao exterior via programas de intercâmbio, e a estimativa para 2014 é de que este número aumente em 30 mil (crescimento de 8% em relação ao ano anterior). Na gaúcha CI, focada em intercâmbio e turismo jovem, os destinos mais procurados são os países de língua inglesa, como Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. A gerente da unidade Moinhos de Vento, Isabella Dapuzzo, explica que a CI confirma que desde 2010, a procura por programas de estudo em solo internacional tem crescido em torno de 7% a 10% por ano. “Em comparação ao início dos anos 2000, este índice é de 100%”, pontua Isabella.
Um dos motivos para o aumento da procura são os valores mais acessíveis e as facilidades no pagamento dos programas, garante o diretor da Global Study. “Nosso lema é democratizar o intercâmbio, porque não há dúvida de que é uma experiência que agrega muito profissionalmente.” Segundo Imamura, atualmente é possível permanecer por um ano na Irlanda por R$ 10 mil, incluindo curso de idioma, passagens de ida e volta, e um mês de estadia.
A ideia, segundo Imamura, é que – em países onde é permitido – aqueles jovens que não têm condições de contar com o apoio financeiro dos pais, possam trabalhar para pagar os demais custos. Foi o que fez a turismóloga Diana Pinto, 27 anos, que em 2009 voou para a Nova Zelândia para realizar um curso de Gerenciamento em Turismo. Antes, planejou a viagem durante um ano: realizou diversos “bicos” e economizou em alimentação e festas, para pagar os primeiros quatro meses fora.
“No final das contas, fiquei quatro anos por lá”, resume Diana, que, durante o curso e nos três anos seguintes, conseguiu trabalhar em diversas empresas: desde lavagem de carros, cafés e bares até promotoras de eventos e hotéis. Inicialmente, ela morou em casa de estudante, e com o tempo, acabou dividindo um apartamento com outros intercambistas. “Adquiri uma experiência incrível. Hoje, trabalho em um projeto próprio e, em breve, pretendo implementar o meu próprio hostel”, comenta a turismóloga.
MORAR FORA POR UMA TEMPORADA EXIGE ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA PARA EVITAR PREJUÍZOS
A permanência no exterior, no caso de jovens que precisam trabalhar para se manter fora de casa, dependerá não só de planejamento – com poupança de recursos – antes da temporada de intercâmbio, como de reservas (levar dinheiro extra), observa o professor de economia e assessor de Relações Acadêmicas Internacionais da Universidade Cruzeiro do Sul, de São Paulo, Flávio Mesquita Saraiva. Acostumado a orientar estudantes brasileiros no processo de escolha e pesquisa da universidade fora do País, Saraiva concorda que a estabilidade cambial e o aumento da renda contribuíram para o crescimento da procura por programas do gênero entre a classe média, tanto no caso de pessoas querendo aperfeiçoar o idioma como em cursos de especialização ou pós-graduação.
“Além do aspecto financeiro, é fundamental que o candidato a intercâmbio se planeje, buscando conhecer a cultura do país que pretende viver e os hábitos da população, porque isso ajudará a escolher os lugares mais em conta”, ensina Saraiva. Na opinião do economista, o ideal é ir comprando moeda local do destino e levar um cartão de crédito internacional. “Quanto menos troca de recursos for feita no destino, melhor.” Se estiver na Europa, por exemplo, o viajante deve evitar trocar moeda estrangeira em hotéis, shoppings e galerias movimentadas, porque a taxa não será muito favorável. “Além disso, é ideal que se busque sempre informações sobre meio de transporte local, para gastar menos. Na maioria dos destinos europeus, há bilhetes de integração, e alguns valem um mês inteiro.”
OPORTUNIDADE EXISTE PARA TODOS OS NÍVEIS
Estudar fora do País está cada vez mais barato não somente no caso de cursos de idiomas ou técnicos, mas também especializações para quem já está no mercado. Em Madrid (Espanha), por exemplo, é possível cursar um ano de MBA Internacional na área de negócios dentro da Universidade Carlos III - considerada uma das 50 melhores do mundo -, por € 12 mil (cerca de R$ 39,5 mil). “Quando comparado com cursos de MBA no Brasil, o preço se equivale e, em muitos casos, é até mais barato”, garante o diretor do curso, Jaime Ortega. Segundo ele, para atrair os brasileiros, a Universidade conta com a vantagem de garantir aos estudantes vivência multicultural e a possibilidade de aprofundamento nas línguas espanhola e inglesa. Todas as aulas do curso são em inglês.
“Além do novo momento do Brasil e da maior possibilidade de brasileiros investirem em educação no exterior, a escola considera relevante ter em sua sala de aula mais estudantes do País, o que colabora para que o MBA seja ainda mais rico em termos culturais”, afirma Ortega. O diretor destaca que a opção pelo intercâmbio vai além da qualificação, propiciando aos estudantes a experiência de viver em uma “cidade cosmopolita, dinâmica e de qualidade de vida reconhecida”. Em Madrid, ele garante, é possível se manter com orçamento mensal na casa de € 500,00 a € 1,5 mil, dependendo do estilo de moradia, do bairro e de outras especificidades demandadas pelo aluno.
Fonte: Site Jornal do Comércio