Embora nem tenha começado a tramitar pelas comissões permanentes da Câmara Municipal de Porto Alegre, o projeto de resolução do vereador Marcelo Sgarbossa (PT), que visa a garantir “a laicidade” do Legislativo, ou seja, retirar os crucifixos e outros símbolos religiosos presentes nos espaços da Casa, divide a opinião dos vereadores.
O autor da matéria esclareceu o que o objetivo é garantir a pluralidade de manifestação religiosa. “A nossa resolução quer garantir a capela como espaço inter-religioso, então nós não somos contra a religião, inclusive nos espaços públicos. Desde que ele seja inter-religioso. Não pode promover um tipo de religião”, afirma Sgarbossa, que reforça a importância da laicidade do Estado. “São duas linhas: uma é não intervenção individual, então, se a pessoa quiser usar um crucifixo, vir em uma sessão com roupas da sua religião, tranquilo, ninguém tem que se meter. O outro é a neutralidade em relação a todos as religiões, então, o Estado não pode promover algum símbolo, de qualquer religião”, explicou o petista.
A presença de parlamentares ligados a grupos religiosos promete tornar o debate ainda mais intenso. O vereador Elizandro Sabino (PTB), membro da Assembleia de Deus, diz estar aberto ao debate. “O primeiro passo é ouvir os mais variados segmentos. Temos que promover o debate e, em um primeiro momento, eu quero ouvir e depois vou me posicionar”, disse o vereador. Na mesma linha, o vereador Waldir Canal (PRB), integrante da Igreja Universal do Reino de Deus, quer se inteirar mais sobre a proposta antes de se manifestar.
Porém, ao contrário de Sabino e Canal, o vereador João Carlos Nedel (PP) já definiu posição e tem se manifestado contrário ao projeto de Sgarbossa. Para Nedel, a “mensagem de Jesus Cristo é universal e é aceita por religiões cristãs e não cristãs”. “O Estado é laico, mas o povo é religioso e a presença do crucifixo não vai alterar nada na laicidade. É um equívoco primário”, criticou o progressista, que lamentou o projeto de resolução. “Onde se retira Cristo dos ambientes, quem entra? Entra o demônio, lamentavelmente, isso acontece”, concluiu Nedel. O projeto de resolução ainda não tem data para ser discutido e votado no plenário.
Fonte: Site Jornal do Comércio