A presidente Dilma Rousseff fará a coisa certa se prorrogar por mais um ano a desoneração da folha de pagamento, disse ontem o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Nelson Barbosa. A previsão, de acordo com o ex-secretário, é de que Dilma anuncie, na próxima semana, a prorrogação da desoneração.
Segundo Barbosa, a presidente fará a coisa certa porque, a despeito da desoneração, a receita do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) está prevista para crescer 12,9% neste ano. Se retirar dessa taxa de crescimento as compensações do Tesouro Nacional, a arrecadação do INSS vai crescer perto de 8%, disse Barbosa, que participou ontem do Seminário Indústria e Desenvolvimento Produtivo do Brasil, organizado em São Paulo pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e pela Escola de Economia em São Paulo (EESP), ambos da FGV.
Outro ponto que na avaliação de Barbosa justifica a prorrogação da desoneração da folha de pagamento é temporal. “É cedo ainda para decretar se a desoneração foi um sucesso ou um fracasso”, avaliou.
Sobre a carga tributária, Barbosa disse que ela tem que ser compatível com os serviços que a sociedade demanda do Estado. Para ele, hoje o maior problema do Brasil é a complexidade da tributação e não a carga.
“Duas reformas podem simplificar o sistema tributário e aumentar substancialmente a competitividade: PIS/Cofins e ICMS, em ações horizontais. Essas reformas custarão apenas 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Barbosa, lembrando que as manifestações estão por aí, dizendo que o povo quer mais serviços públicos de qualidade. “Para isso (atender as demandas sociais), precisamos de superávit primário”, disse.
Fonte: Site Jornal do Comércio