O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, oscila perto da estabilidade nesta quarta-feira (7), antes das declarações de dois membros do Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) que podem jogar luz sobre a retirada de estímulos por parte da autoridade monetária americana. Às 12h05, o Ibovespa tinha leve queda de 0,03%, a 47.403 pontos. De acordo com Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Futura Corretora, o mercado aguarda o pronunciamento dos integrantes do Fed de Filadélfia e Cleveland para tomar uma posição. "Esses membros que falam hoje --Charles Plosser, de Filadélfia, e Sandra Pianalto, de Cleveland-- defendem a retirada dos estímulos econômicos e acreditam que isso deve ocorrer em breve", diz. A autoridade monetária dos EUA recompra mensalmente, desde 2009, US$ 85 bilhões em títulos emitidos pelo governo com o objetivo de injetar recursos na economia. Parte desse dinheiro se reverte em investimentos financeiros, inclusive em mercados emergentes, como o brasileiro --que tendem a ser reduzidos se o incentivo monetário for cortado. No mercado doméstico, a divulgação do IPCA, índice oficial da inflação, não teve impacto na Bolsa, de acordo com especialistas. O índice teve leve alta de 0,03% em julho, a menor variação mensal desde julho de 2010. Segundo Emerson Fernandes Marçal, economista da FGV, como o número saiu dentro do previsto, não terá repercussão na Bolsa e no dólar. "Se viesse muito inesperado, pode mexer preço no mercado futuro na BM&F, na curva de juros", diz Marçal. Isso porque uma inflação acima do esperado poderia indicar que o Banco Central estaria disposto a elevar a taxa básica de juros, a Selic, recurso usado para conter o aumento dos preços. De acordo com o economista Fábio Romão, da LCA Consultoria, a inflação deve continuar desacelerando nos próximos meses, e encerrar o ano em 5,60%. "Em agosto deve haver uma aceleração do índice, para 0,32%, pressionado por educação, alimentação e bebidas", afirma. "Além disto, os efeitos das revogações das tarifas de transporte público sairão de cena ao longo de agosto concomitantemente à expectativa de altas de passagem aérea, gasolina e etanol, colocando o grupo Transportes novamente em terreno positivo." DÓLAR O dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha alta de 0,33% às 12h20, a R$ 2,298. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, operava estável a R$ 2,299. "O dólar está seguindo o comportamento da moeda no exterior, que também está oscilando, com alta mais tímida", diz Guilherme Prado, operador de câmbio da Fitta DTVM. Segundo ele, o fator que mais pesará na definição de tendência da moeda americana são as declarações dos membros do Fed, "que têm potencial para influenciar negócios com dólar." Fonte: Site Jornal Folha de São Paulo