Elevação de 0,5% leva em conta, segundo o comunicado da autoridade monetária, a contribuição que terá para colocar a inflação em declínio. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou, na noite desta quarta-feira, a taxa de juros básicos da economia brasileira em 0,5 ponto percentual, para 9% ao ano, sacramentando o ciclo de maior aperto monetário do governo Dilma Rousseff. A decisão, unânime, leva em conta, segundo o comunicado da autoridade monetária, a contribuição que terá para colocar a inflação em declínio e assegurar que a tendência persista no próximo ano. O texto foi idêntico ao das reuniões do Copom de maio e julho. Pela pesquisa Focus do BC da última segunda-feira, analistas do mercado financeiro aguardam mais uma alta de 0,50 ponto percentual na próxima reunião, em outubro. Se for confirmado o prognóstico, a Selic terminará 2013 em 9,5% ao ano. Esta é a segunda vez na gestão Dilma que o Copom do BC adota a trajetória de alta da Selic. A primeira foi assim que a presidente se mudou para o Palácio do Alvorada: em quatro decisões durante cinco meses, a autoridade monetária aumentou em 1,25 pp o juro básico, que passou de 11,25% para 12,50% ao ano. Agora também foi a quarta alta consecutiva em cinco meses, mas a elevação foi mais drástica, de 1,75 pp, de 7,25% para 9% ao ano. O novo patamar da taxa é exatamente o visto em abril do ano passado, quando a economia brasileira passava por um longo processo de corte de juro - foram 10 seguidos durante um ano e dois meses. Os detalhes sobre o que levou o colegiado a tomar a decisão, amplamente esperada por analistas do mercado financeiro, serão explicados na quinta-feira da semana que vem, quando a ata da reunião será divulgada. A maior curiosidade dos agentes é em relação aos prognósticos do BC para a inflação e o dólar, que, desde o último Copom, subiu 3,3% e fechou nesta quarta a R$ 2,346. As projeções do mercado para essas duas variáveis se deterioraram, conforme mostrou o relatório de mercado Focus da última segunda-feira. E a piora das expectativas foi um dos destaques dados pelo BC na última ata do Copom. A decisão sobre o rumo da Selic vem também uma semana depois que a autoridade monetária decidiu abastecer o mercado de dólares e passou a realizar leilões diários, num total de US$ 3 bilhões por semana. “A subida dos juros, que certamente penaliza o setor produtivo, não é a única saída para o controle inflacionário, principalmente em um momento em que o crescimento econômico já se encontra bastante debilitado. O problema é que há grande descuido pelo lado fiscal de nossa economia”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller. A Força Sindical referiu em nota que “mais uma vez o Copom toma a decisão equivocada de aumentar a taxa básica de juros”. A medida - prossegue o documento - prejudica o setor produtivo e a classe trabalhadora. “Fica evidente a opção da equipe econômica do atual governo de continuar privilegiando os especuladores e deixando em segundo plano a produção e a geração de novos empregos.” Fonte: Site Jornal do Comércio