Hoje começa a segunda etapa de restrição da circulação das carroças em Porto Alegre. Com isso, carroceiros e carrinheiros ficam proibidos de trafegar na zona 2, que abrange as regiões Eixo Baltazar, Leste, Nordeste, Noroeste e Norte da Capital. A medida está prevista na Lei 3.581/08, que determina a retirada dos veículos de tração animal e humana das ruas da cidade até junho de 2015.
Em contrapartida à proibição, a prefeitura diz que está incrementando as ações do Todos Somos Porto Alegre, programa de inclusão produtiva na reciclagem. Conforme Fernado Mello, coordenador da iniciativa, atualmente existem 1,7 mil carroceiros e carrinheiros cadastrados no programa.
Para estes, são oferecidos cursos de formação profissional e encaminhamento para vagas de trabalho. Ao se inscrever, os trabalhadores têm a possibilidade de receber bolsa de estudo no valor de um salário-mínimo - R$ 724,00 por mês - e vale-transporte. A carga horária da qualificação é de quatro horas diárias, com duração média de três meses. “Na zona 1, em setembro passado, nosso maior desafio era vencer a insegurança deste público em relação ao programa. Conseguimos”, avalia Mello.
Ele conta que para os 898 cadastrados na zona 1 (que compreende o cruzamento das avenidas Edvaldo Pereira Paiva e Ipiranga, seguindo até a Antônio de Carvalho, passando pela Bento Gonçalves e terminando no limite com Viamão) foram ofertadas 821 vagas. Em 2013, 250 se formaram, e 100 ainda estão em qualificação. “Ano passado, 190 migraram para outras atividades. Isso é o resultado positivo”, acredita. A Celulose Riograndense, parceira do programa, absorveu a mão de obra de 160 pessoas após investir R$ 360 mil em bolsas de estudos para capacitações como auxiliar de cozinha e administrativo, padeiro, garçom, camareira, entre outros.
Dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) contabilizam 26 cavalos recolhidos “em situação de maus-tratos” durante as 24 blitze realizadas na zona 1 no ano passado. Os condutores de carrinhos por tração animal ou humana podem entregar os veículos para a prefeitura e receber indenização de R$ 1,5 mil ou R$ 200,00, respectivamente. A prefeitura já pagou R$ 168,7 mil em indenizações.

Fonte: Site Jornal do Comércio