Enquanto as tropas do general Olympio Mourão Filho se deslocavam de Juiz de Fora (MG) para o estado da Guanabara, na virada de 31 de março para o dia 1 de abril de 1964, aglutinando apoio civil e militar em muitos estados, ao passo que se organizavam alguns movimentos de resistência, o Rio Grande do Sul recebeu com certa perplexidade a notícia sobre a ação que visava à derrubada do presidente da República, João Goulart (PTB), popularmente conhecido como Jango.
Já em 1 de abril, sindicatos convocaram greve geral. Os bondes da Capital pararam e os ônibus, lotados, eram insuficientes para o transporte dos porto-alegrenses. A maioria dos colégios suspendeu as aulas nas primeiras horas da manhã daquele dia 1 de abril, os bancos fecharam a partir do meio-dia, bem como as repartições públicas, e muitos cidadãos corriam aos supermercados e mercearias para se abastecerem de alimentos.
Até o final da tarde, cerca de 5 mil pessoas já tinham deixado a cidade pela Estação Rodoviária - quando a média diária de viagens era de 1,5 mil passageiros -, com medo de confrontos.
Apoiador do golpe, o governador Ildo Meneghetti (PSD) reforçou o policiamento da Capital, com a Brigada Militar (BM) guarnecendo diversos pontos estratégicos da cidade, especialmente no entorno e no interior do Palácio Piratini, que teve ruas bloqueadas ao trânsito.
Enquanto isso, começavam a se aglutinar em frente à prefeitura de Porto Alegre, que era administrada por Sereno Chaise (na época no PTB), os gaúchos que pretendiam resistir ao golpe. Quando já havia uma pequena multidão, o grupo rumou para o Palácio Piratini, a fim de destituir Meneghetti e entregar o governo ao então deputado federal Leonel Brizola (na época, no PTB), que já havia resistido ao golpe em 1961, na Campanha da Legalidade. Antes, porém, sabendo da movimentação, o governador Meneghetti se refugiou em Passo Fundo, transferindo o governo para o 3º Batalhão de Caçadores da BM, e se declarou leal ao movimento militar de Minas Gerais. Sereno fez um pronunciamento ao povo reunido na Praça da Matriz para que se retirasse com ele e aguardasse o desenrolar dos acontecimentos em frente ao Paço Municipal. O prefeito acabaria preso no dia seguinte, ficando detido por mais de 24 horas sem uma acusação formal.
CRONOLOGIA DO GOLPE
25 de agosto de 1961 - Presidente Jânio Quadro renuncia.
2 de setembro de 1961 - Congresso Nacional aprova emenda constitucional que estabelece o parlamentarismo no Brasil.
7 de setembro de 1961 - O vice-presidente João Goulart (Jango) assume a presidência da República. Tancredo Neves é o primeiro-ministro.
6 de janeiro de 1963 - Plebiscito retoma o presidencialismo e devolve poderes a Jango.
13 de março de 1964 - Jango anuncia as reformas de base, em comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
19 de março de 1964 - Cerca de 500 mil pessoas fazem, em São Paulo, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
31 de março de 1964 - General Olympio Mourão Filho movimenta tropas, em Juiz de Fora (MG), dando início ao golpe civil-militar.
2 de abril - Jango chega a Porto Alegre no início da madrugada. Congresso Nacional declara vaga a presidência da República. O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assume a presidência do Brasil interinamente. Jango vai para o exílio no Uruguai.
9 de abril de 1964 - É editado o Ato Institucional nº 1 (AI-1), que permite a cassação de políticos.
10 de abril de 1964 - São cassados o presidente deposto João Goulart, o deputado federal Leonel Brizola e o prefeito de Porto Alegre, Sereno Chaise, entre uma centena de lideranças políticas.
15 de abril de 1964 - O marechal Humberto Castello Branco assume a presidência da República.
Fonte: Site Jornal do Comércio