Como é agradável ter o dom de poder ser um observador, um crítico do cotidiano, uma das raras pessoas que se preocupam com o que ocorre no dia-a-dia e procuram transformar as observações em crônicas àqueles que se divertem com o salutar hábito da leitura.
Não é fácil o trabalho de escolher o tema, de como melhor abordá-lo, de fazer uma análise diferenciada do que já foi feito pelos escritores diários dos jornais, revistas e os mais diversos meios de comunicação que rondam as redes sociais.
Como o título indica, metade da análise deve ser emoção, mas a outra metade deve ser razão. Fico a me lembrar dos diversos livros que compõe a estante do meu escritório, em especial aqueles que se dedicam à análise de situações particulares ou relatam experiências de pessoas conhecidas (ou fantasiadas).
Metade emoção e a outra metade razão!
Também, esta deve ser a regra do nosso cotidiano, a regra que deve prevalecer nas relações afetivas, nas relações amorosas, nas rodas sociais e no convívio diário com as pessoas mais próximas do nosso dia-a-dia. Excetuo as relações profissionais, pois em decorrência de convicção adquirida pelo decorrer dos anos, é meu entendimento que as relações profissionais devem ter única e exclusivamente a metade da razão.
A forma como cruzar a avenida, a forma como se comportar diante de uma situação constrangedora ou de um comentário inesperado de um velho conhecido, a reação diante de algo inesperado, todas são formas do ser humano expressar um outro lado comumente não externado no dia-a-dia: a metade emocional sendo invadida pela metade racional.
É desta forma de análise que encontramos aqueles velhos amigos acompanhados por pessoas que eles julgavam jamais estar juntos, pessoas que passam por riscos iminentes e a única reação é um sorriso desenfreado naquele rosto pálido pelo enorme susto, afinal, situações que somente o melhor dos livros de auto-ajuda ou biografias não autorizadas podem conter.
Mas nada a criticar as situações acima mencionadas, pois entre a metade emoção e a metade razão existe um infinito ainda não explorado pelo ser humano, um infinito que por muito tempo deixará de ser estudado, pois sua razão de existir é exatamente a fonte de inspiração daqueles que procuram exercer a difícil tarefa de relatar o cotidiano.
FABIO JOSÉ GIRARDI - ADVOGADO