Quando o assunto é a sucessão familiar ou até mesmo o planejamento familiar e, ainda, a proteção patrimonial, o empresário fica assustado com o tema, pois entende que é um terreno de areia movediça iniciar o debate no núcleo familiar de questões delicadas e que podem, em tese, trazer algum tipo de discórdia entre os seus.
Porém, a necessidade da preservação do negócio empresarial, a necessidade de haver um planejamento quanto à sucessão e, muito em especial, a necessidade de ocorrer à preservação do patrimônio, desponta como urgente o debate e a adoção de medidas práticas sobre a sucessão, o planejamento familiar e a proteção patrimonial.
O planejamento familiar, por exemplo, vai englobar a análise sobre os tipos de regime de casamento e seu reflexo em caso de meação ou sucessão hereditária. A sucessão familiar foca a melhor compreensão sobre a ocupação de espaços dentro da empresa pelos herdeiros, sejam os filhos, netos ou até mesmo outros membros da família, como primos, tios, genros, noras ou sobrinhos. E, ainda, a proteção do patrimônio visa planificar alternativas que minimizem os riscos de perda patrimonial pelo insucesso empresarial.
Sabe-se que não é nada fácil ao empreendedor ter que optar por um determinado descendente ou colateral em detrimento da escolha de outro para o comando ou participação nos negócios. Igualmente, difícil tratar no seio familiar, de forma antecipada, a questão da partilha dos bens adquiridos, pois, em tese, pode-se pensar na ideia de um desinteresse pela vida.
Busca-se, na realidade, dar ao empresário uma longa tranquilidade quanto à preservação e continuidade dos negócios e do patrimônio adquirido ao longo da vida, através de mecanismos que venham a evitar aborrecimentos com separação, divórcio ou óbito e até mesmo com a garantia de que o patrimônio pessoal não será alcançado por eventuais dívidas ou incorreta implementação dos negócios.
Humberto Girardi e Fabio Girardi