Excuse me, can you help me, please? Essa frase é tão simples que pode ser um motivo de crítica por apresentar-se escrita justamente como título, porém diversas outras pessoas a desconhecem completamente. Aqui no Brasil, através de estudos do British Council em 2015, apenas 10,3% dos brasileiros afirmaram apresentar conhecimentos variados de língua inglesa, provavelmente a ponto de responder essa frase acima perfeitamente bem. Esses fatos citados serão indiretamente explicados através de uma situação verídica ao longo do texto.
Suponhamos que você tenha que fazer uma viagem de negócios para outro país hoje, agora, um país em que a sua língua nativa esteja muito longe de ser um meio de comunicação social e que línguas derivadas também não sejam uma opção. Parece um pouco utópico, embora essas situações ocorram com bastante frequência. Essas situações variam, podendo ser citados como exemplo estudos acadêmicos, negociações empresariais, viagens de família para celebração de aniversário ou férias, busca de um país para começar uma vida nova, enfim, infinitos exemplos.
Para que possamos refletir com mais foco nessa possibilidade, restringindo os recursos para esse “viajante”. Falaremos de estudantes internacionais vindos ao Brasil para adquirir uma experiência acadêmica citada como primeiro exemplo no parágrafo acima. Caso alguma pessoa com as características citadas no primeiro parágrafo não soubesse absolutamente nada de língua portuguesa ou espanhola para comunicar-se, o que você acha que aconteceria desde que a pessoa chegasse ao aeroporto até o instante que ela encontrasse algum lugar do qual ela pudesse pelo menos acomodar-se por algumas noites?
Estudos feitos em 2015 pela empresa EF (Education First) apontaram que o Brasil apresentou um índice de proficiência de língua inglesa baixa, ficando em 41o lugar comparado a 70 outros países. Esse fato ficou bastante evidente em 2014, quando em meio a muitos estrangeiros espalhados pelo Brasil durante a copa, muitos falantes de língua portuguesa apresentaram insegurança por não conseguirem desenvolver praticamente nenhum tipo de contato linguístico estrangeiro. Isso dificultou a busca de informações básicas, como onde se encontra um mercado, onde posso pegar o ônibus, onde posso sacar dinheiro, etc. Lembrando que a língua inglesa é a língua estrangeira mais ensinada no Brasil.
Voltando ao fato citado no segundo parágrafo, essa situação de fato aconteceu e eu pude ser testemunha viva de que a conversação interlinguística é muito restrita até mesmo em nosso estado, Rio Grande do Sul. Durante o segundo semestre de 2015 comecei a estudar mandarim na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Instituto Confúcio. Professores vindos lá da China eram os responsáveis pelas aulas em nossas classes. Todos que vieram falavam inglês sem problemas, porém não chegavam nem perto de ter facilidade de falar português. A cara de espanto dos estrangeiros quando entram em contato com 92% da população Brasileira é evidente. E acreditem se quiser, aceitem se quiser, ou pensem se quiser: de todas as pessoas que eles contataram na cidade de Porto Alegre, na serra e no litoral gaúcho, posso contar nos dedos quantas eu não precisei fazer o papel de tradutor enquanto acompanhava-os. Acredito que a comparação que uma professora de linguística fez no colégio ficou clara quando pude ver situações de insegurança dos meus professores de chinês: pessoas que não conseguem se comunicar é como se estivessem voltando à idade da pedra, onde o contato corporal é o único meio de expressar aquilo que é extremamente essencial para sobreviver.
PABLO ARYPE GIRARDI