Uma emocionante paixão e rivalidade envolve todo o povo gaúcho, residente no RS ou em qualquer outro Estado da federação: ser gremista ou ser colorado, os dois maiores times e torcidas do sul do Brasil.
A paixão é tão forte e emocionante que as próprias casas dos torcedores possuem cores, adesivos, lembranças e pequenos objetos que lembram e deixam de forma clara e objetiva qual é o clube que faz ferver o sangue corrente das artérias.
É um simbolismo que possui algo em torno de um século, mas que está enraizado de tal forma na cultura do povo gaúcho que dificilmente pode ser admitida a hipótese de não mais existir mencionada rivalidade, aliás, característica do nosso povo desde muito antes da Revolução Farroupilha.
Porém, neste pequeno e rápido ensaio, importante navegar em outro aspecto que considero importante na análise da rivalidade futebolística, ou seja, as influências políticas e econômicas da dualidade esportiva.
Sem possuir um estudo acadêmico, ou melhor, apenas tangenciando pela intuição de um observador do nosso cotidiano, perceptível aos olhos de qualquer observador que a famosa “gangorra” dos dois maiores clubes de futebol do RS não é nada saudável para a política e para a economia.
Se formos pesquisar as principais manchetes dos nossos jornais de maior circulação, encontraremos momentos de baixa produção ou crise na área econômica e de conflitos na área política quando a “gangorra” futebolística favorece apenas um dos times de futebol.
Ao contrário, naqueles momentos em que os dois times estão em ascensão, as questões econômicas e políticas fluem de uma forma mais tranquila, ascendente e produtiva, beneficiando todos os setores da população gaúcha.
Vê-se como saudável o pequeno, o médio e o grande empreendedor encontrarem respaldo econômico no sucesso da dupla Grenal; também, é oportuno e saudável ver as negociações, resultados e composições políticas unidas pelo objetivo comum exatamente quando nossos dois maiores representantes estão na ponta da representação esportiva brasileira e, até mesmo, sul americana.
Desta forma, seria oportuno nossos representantes legislativos, numa utópica ilusão de ótica, criarem mecanismos necessários para o bem estar, progresso e pacificação da sociedade tendo como exemplo o sucesso conjunto que o futebol nos dá como lição de civilidade.
FABIO JOSÉ GIRARDI - ADVOGADO