A prosperidade das organizações é desafiada quando momentos de crise e de incertezas passam a fazer parte do ambiente interno das empresas. Para evitar e minimizar esses episódios, os líderes devem reconhecer as ameaças e ter atenção para quatro pilares fundamentais da gestão de riscos: associação entre liderança e pessoas, prevenção financeira, capacidade inovadora e crédito. Esses fatores são interdependentes e estão conectados à gestão das empresas, especialmente, na resolução de momentos difíceis. As organizações nunca precisaram tanto de líderes capazes de conduzir seus comandados como agora, um momento de instabilidade que precisa ser superado com inteligência emocional.
Para isso, os líderes organizacionais devem incluir em suas agendas a análise de cenários favoráveis e desfavoráveis, com objetivo de proteger e minimizar as possíveis crises. Essas iniciativas devem ser implementadas em paralelo às atuais operações, através da governança corporativa, comitês, fóruns e reuniões estratégicas para discussão. Mesmo estabelecendo as ações descritas, as organizações podem passar por outras dificuldades causadas pela falta de humildade e de atitude para mudar o cenário apresentado.
Para combater a crise, em primeiro lugar, é fundamental a habilidade dos líderes de reconhecerem e aceitarem a realidade de suas organizações. Esse fator é decisivo principalmente em empresas familiares orientadas através do pensamento estratégico de seu comandante. A visão do líder está, muitas vezes, relacionada com o que ele quer para a sua empresa e não necessariamente como ela realmente é. A diferença entre o idealismo e a realidade pode ser fatal.
Henri Bergson, certa vez, afirmou que só enxergamos o que a mente está preparada para compreender. O efeito de negação predomina em muitas organizações e as dificuldades não são tratadas com a prevenção e atenção necessária. Em muitos casos os líderes não querem admitir e reconhecer os erros de suas organizações, pois estão intimamente e emocionalmente envolvidos nessas questões. As empresas também precisam corrigir os erros enquanto suas operações estão em funcionamento. Elas não podem parar suas atividades para recuperar suas fragilidades.
Para evitar isso, o líder deve definir um sistema de gestão e de governança envolvendo a participação de todos os seus colaboradores. Essas atitudes proporcionam debates produtivos para a melhor tomada de decisão. Jornais em todo o mundo estão enfrentando episódios difíceis com a gradativa redução do interesse em edições impressas, seja por questões de sustentabilidade ou pela migração dos leitores para o conteúdo virtual.
Esta semana, o Grupo RBS comunicou a demissão de 130 funcionários. Nas notícias publicadas sobre o tema, o presidente do Grupo RBS Eduardo Melzer destacou que as empresas com coragem para se posicionar em um mundo novo sairão fortalecidas. Esse parece ser um movimento de reconhecimento da realidade e promoção de mudanças necessárias. A RBS, assim como o Grupo Randon, de Caxias do Sul, e outras empresas do mesmo porte, estão se reposicionando e fazendo adaptações em suas estruturas organizacionais e suas operações. De qualquer forma, as empresas sempre enfrentarão o desafio de formular estratégias adequadas e de ter sucesso em sua implementação.
HENRIQUE GIRARDI
*Texto publicado na edição de julho-agosto da Revista ASBRAV http://issuu.com/uffizicomunicacao/docs/asbrav11