É muito comum o profissional da área do Direito ser abordado por pessoas conhecidas, e entre uma conversa e outra, ser questionado acerca de um problema jurídico.
Normalmente, o questionamento vem antecipado por várias gargalhadas, os famosos elogios e acompanhado pelo chavão “aproveitando a oportunidade, só uma perguntinha...”.
Essa famosa “perguntinha” na realidade trata-se de uma consulta que, sob hipótese alguma, pode ser tratada de modo informal, haja vista a enorme responsabilidade do profissional entre a resposta, a assimilação do conteúdo pelo questionador e o reflexo que isso pode vir a causar futuramente.
A consulta profissional exige reflexão, exame de documentação pertinente ao assunto, análise detalhada das possibilidades presentes e futuras, consequências dos atos a serem praticados ou, até mesmo, omitidos, entre tantos outros.
Uma resposta mais precipitada do profissional poderá inviabilizar pretensões futuras, pois sem o respaldo da análise e a reflexão necessária ao exame cauteloso do questionamento, bem como quanto à perfeita percepção do questionador acerca da resposta, pode induzir o indagador a cometer um erro irremediável, com graves e irreparáveis prejuízos.
Não fosse o suficiente, ao aceitar o desafio de responder aos questionamentos de uma simples “perguntinha”, dois graves erros profissionais estão sendo cometidos. Um, de normalmente a resposta não vir acompanhada da respectiva remuneração profissional corresponde, afinal se tratar de um consulta formal. E outro que, ao aceitar o desafio da “perguntinha”, se deixa de lado anos de banco acadêmico, leituras madrugada adentro, trabalhos redigidos nos finais de semana e feriados, além de outros anos do curso de pós-graduação, mestrado ou doutorado, que podem somar mais de dez anos de dedicação exclusiva ao aprendizado.
Assim, o profissional que exige que a “perguntinha”, ou melhor, a consulta, seja realizada profissionalmente, independentemente do questionador, está na realidade demonstrando o valor que ele mesmo dá ao seu currículo acadêmico e a sua experiência prática.
FABIO JOSÉ GIRARDI – ADVOGADO