No país vizinho a cordialidade, a educação e o sorriso são características visíveis no semblante de qualquer “hermano” que encontramos pelas ruas, shopping center, feiras ao ar livre, restaurantes ou qualquer lugar visitado. Possuem facilidade de comunicação, sabendo manter um mínimo de diálogo independentemente da origem do visitante. Conhecem suas cidades, pontos turísticos, atrações culturais e gastronômicas recomendando-as com orgulho e gentileza. Também, possuem facilidade e fluência no debate sobre questões políticas internas e internacionais. No trânsito, apesar do enorme movimento e diversos congestionamentos, impera o respeito às leis de trânsito.
Ao serem questionados acerca de todos os atributos que merecem incansáveis elogios, a resposta sempre é na mesma linha de orientação: são ensinados desde pequenos a valorizar sua cultura, reputação, história e tradições, bem como possuem ensino regular da Constituição Federal desde o nível fundamental, o que lhes dá base para concordar ou discordar, com sólidos argumentos, da trajetória política interna.
Em outras palavras, possuem no sistema educativo a base para saberem exatamente os pontos de convergência ou divergência com as diretrizes traçadas pelos seus governantes e, mais importante ainda, para darem valor a toda história que constitui suas raízes e o presente da nação.
Não é possível traçar uma comparação entre o Uruguai e o Brasil pelos aspectos do cultivo da tradição, cultura e história, diante da diferença de tamanho entre ambos, pois nosso país, diferentemente do vizinho, possui dimensão continental e diversas formas de colonização. Todavia, no que tange aos quesitos cordialidade, educação e facilidade de comunicação com os estrangeiros, estamos anos luz atrás dos “hermanos”, pois aprendemos apenas a divulgar nosso samba, carnaval, caipirinha e, em especial no Rio Grande do Sul, nosso churrasco.
Temos dificuldade de assimilar e comunicarmos com qualquer idioma estrangeiro e, consequentemente, nossa cordialidade fica restrita a poucos que possuem noção da língua inglesa ou espanhola. Nossos comentários sobre a trajetória, na maioria das vezes, são reproduções de opinião que a mídia divulga diariamente, impedindo uma correta reflexão das diretrizes que os governantes apresentam em suas plataformas eleitorais. Tal situação é previsível, pois tanto no ensino fundamental, quanto no ensino médio somos subtraídos do ensino elementar acerca do ordenamento jurídico, hierarquia das leis e a diferença das competências municipal, estadual e federal.
Na maioria das vezes as pessoas são obrigadas a optar entre a continuidade dos estudos ou o trabalho diário para o sustento familiar, o que prejudica, de forma substancial, a aquisição de conhecimentos na área da história nacional e, consequentemente, a possibilidade de argumentação e fundamentação sobre nossas raízes, culturas e tradições.
Não conseguiremos alcançar o grau de excelência cultural que nosso vizinho Uruguai já alcançou se não houver pesados investimentos na área da educação. Por isso, enquanto tal situação permanecer, continuarei a clamar: Uruguai, um país maravilhoso!
FABIO J GIRARDI - ADVOGADO